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Livro de Palavras

por seila, em 05.06.15

 

Tenho escrito um livro, de soltas palavras, desgarradas a monte no pensamento.

Tantas palavras tristes, tantas vivas de alegria, umas quantas agressivas, outras tantas revoltadas. Palavras justas, dignas, sensíveis que se aliam à compreensão. As verdadeiras, legítimas numa luta compulsiva com as ardilosas, fingidas. As decididas, determinadas que se esbarram nas incertezas. E retiradas a um canto, as altivas, prepotentes, hipócritas e arrogantes, casmurras, mal-humoradas, ofensivas e de raiva, num grupo bem definido de tanta incompatibilidade. Coerentes, caridosas, humildes e carinhosas contaminadas de amor. E tantas palavras tão lindas que deslizam de mansinho procurando outro lugar. Se alojam no coração.

Tento escrevê-las, juntá-las, fazer que tenham sentido.

Atropelam-se, escorregam.

Tudo falta de conexão entre o papel e o lápis.

 

 

Seilá, 6 de Maio de 2015

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publicado às 17:42

O meu silêncio

por seila, em 01.04.15

Hoje não escrevo por mim.

Estou cansada, sem palavras que façam sentido.

Escuto-me apenas em silêncio.

Porque o meu silêncio é tantas vezes ruidoso, confunde-me, não me deixa clarear as ideias, impede-me a fluidez do raciocínio.

 

É por isso que hoje deixo um poema.

Que melhor que um poema para nos fazer sonhar, chamar à realidade ou simplesmente descrever o que sentimos e não somos capazes de transmitir?

A Literatura Portuguesa é muito rica e tem milhares de exemplos como este que escolhi.

 

Encontro

Que vens contar-me
se não sei ouvir senão o silêncio?
Estou parado no mundo.
Só sei escutar de longe
antigamente ou lá pró futuro.
É bem certo que existo:
chegou-me a vez de escutar.
Que queres que te diga
se não sei nada e desaprendo?
A minha paz é ignorar.
Aprendo a não saber:
que a ciência aprenda comigo
já que não soube ensinar.
O meu alimento é o silêncio do mundo
que fica no alto das montanhas
e não desce à cidade
e sobe às nuvens que andam à procura de forma
antes de desaparecer.
Para que queres que te apareça
se me agrada não ter horas a toda a hora?
A preguiça do céu entrou comigo
e prescindo da realidade como ela prescinde de mim.
Para que me lastimas
se este é o meu auge?!
Eu tive a dita de me terem roubado tudo
menos a minha torre de marfim.
Jamais os invasores levaram consigo as nossas torres de marfim.
Levaram-me o orgulho todo
deixaram-me a memória envenenada
e intacta a torre de marfim.
Só não sei que faça da porta da torre
que dá para donde vim.

 

Almada Negreiros

 

Seilá, 1 de Abril de 2015

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publicado às 21:36

Arregaçar as mangas

por seila, em 17.03.15

 

Nunca tinha pensado nisto nestes termos até hoje.

O gesto de arregaçar as mangas transmite algo de positivo.

Diz-nos que é hora de deixar para trás situações ou sentimentos que nos trouxeram ilusões, criaram expectativas e que afinal fomos forçados a reconhecer estar tudo errado.

Ao princípio o desalento, a angústia, a tristeza tomam conta de nós e muitas vezes aparecem a seguir as dúvidas e pior que tudo as culpas.

Culpas que na maior parte dos casos nem existem, mas que usamos como desculpas, naquele meio tempo em que racionalmente, não conseguimos desenhar com verdade e clareza os acontecimentos.

Um dia, porque o tempo revestido de opiniões, de afastamentos, silêncios e lágrimas passou por nós cumprindo a sua tarefa, um dia é tempo de arregaçar as mangas num gesto de força, de determinação de deixar para trás o que se não pode mudar ou apagar do passado e apesar disso, pensar seguir em frente, decidir fechar a porta atrás de nós e deixar entrar o futuro.

 

É por isso que te digo, tem calma, respira fundo a cada uma das vinte e quatro horas e um dia, sem dares por isso, vais ver-te a arregaçar as mangas.

 

 

Seilá, 10 de Fevereiro de 2014

 

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publicado às 18:47

Mulher

por seila, em 08.03.15

 Ai que nem sei por onde começar. Então o melhor será ir pelo lado da brincadeira.

 

Se eu podia ouvir o concerto da sinfonia nº 3 de Mahler para solista, coro e orquestra sentada no sofá de minha sala, lá isso podia, mas não era a mesma coisa.

 

Porque há uma linha consistente que separa a imaginação da realidade, faz toda a diferença ouvi-la na óptima sala do grande auditório do CCB.

 

Neste dia, num palco onde talvez cinquenta por cento da Orquestra Sinfónica Portuguesa eram mulheres, onde a solista era mulher, onde esteve presente o coro feminino do Coro Nacional de São Carlos e também presente, por ser um coro juvenil apenas dois membros eram masculinos o Coro Juvenil de Lisboa e tão importante (para mim visto pela primeira vez), a Direcção Musical entregue também a uma mulher – Joana Carneiro, foi uma deliciosa maneira de passar o dia dedicado às mulheres.

Obrigada a todas por me deixarem ouvir, sentir o melhor da música exibida em quase exclusividade no género feminino.

Obrigada à minha companhia, minhas muito queridas imãs.

Obrigada por ter sido obrigada a cuidar da minha imagem para o evento.

Obrigada ao sol que brilhou e aqueceu este dia.

Obrigada por ser mulher.

Obrigada a todas as mulheres do universo que fizeram e marcam a diferença num mundo que persiste a querer continuar a ser exclusivamente masculino.

 

 

Seilá, 8 de Março 2015

 

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publicado às 20:48

Os cinco sentidos

por seila, em 03.02.15

 

 

Foi bom tomar o "café da manhã" contigo. Adorei os croissants ainda mornos com queijo e fiambre e o chocolate espesso e quente.

Um cocktail de calorias para poder gastar à vontade passeando por Annecy que em cada canto e recanto, me maravilhou com a sua cor, o perfume do ar feito de várias essências, já que tantas e distintas paisagens a cidade tem para oferecer. Ficaram retidas na memória do olhar. Ouvi o murmurar de vozes que conversavam, o rumor aprazível de água que corre e o canto dos pássaros que de em árvore em árvore celebravam a vida. E no meio de tudo isto, ouvi o silêncio calmo.

 

Na realidade, foi um sonho...                                            

Mas...falta aqui um sentido...é o tacto! 

Como poderia esquecer? 

Encontrei-o na tua boca, quando em cada esquina te beijava.

 

 

 

Seilá, 3 de Fevereiro de 2015

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publicado às 17:37

Lembro que doeu

por seila, em 13.01.15

 

Hoje ligaste-me. Imaginei que o farias que talvez precisasses do mimo de um desabafo.

Não, não me esqueci.

 

Lembro que doeu. Olhar-te e ver-te doeu como se um golpe me ferisse fundo, imensamente profundo.

Vi-te tão frágil que tive medo te desfizesses a qualquer momento diante de mim. Tão infinitamente só como se alguém te tivesse abandonado no deserto sem fim.

Una simples foto que alguém publicou no facebook mas de simples nada tinha.

Era a personificação completa de um ser perdido, vivendo um rumo à deriva, procurando desesperadamente a solução de um porto seguro, que lá no fundo sabia não existir, mas não conseguia admitir e sem entender a cilada que a vida lhe reservara. Pior do que tudo era o retracto vivo da humilhação, vítima da prepotência e do egocentrismo humano.

Lembro que chorei.

Lembro que me revoltei.

Lembro que desejei… eu nem confesso o que desejei e lembro que tive o impulso enorme de eliminar aquela foto. Contive-me. Nada te disse.

Lembro que duvidei de mim. Duvidei se o que via era realidade ou apenas imaginação desmedida.

 

Bastante mais tarde, quando tudo se aquietou um pouco mais, falei-te disto.

Olhaste-me com surpresa

– Tu também? – Perguntaste.

Numa voz um tanto sumida acrescentaste - Uma amiga minha disse-me o mesmo.

 

E aí eu tive a certeza que o meu coração vê, sente e nunca se engana.

 

 

Seilá, 13 de Janeiro de 2015

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publicado às 17:03

Ouvir o vento

por seila, em 05.01.15

                                                                    (Foto minha)

 

Gosto de te ouvir passando, rasando, beijando as copas frondosas do pinhal.

Vergam-se os ramos embalados na suave leveza de quem dança.

Chamam por ti baixinho como quem reza, meladas, sequiosas de afagos.

Eu, sinto-te na pele. Frescura inebriante percorrendo-me o corpo imóvel.

Descaem as pálpebras, apuram-se os sentidos.

És brisa subtil atiçando desejos, nascente de sonhos feitos de tule esvoaçante, vivos no limbo da imaginação.

E tu segues, nem pensas voltar atrás.

Vais zombeteiro, correndo alegre de te saberes provocante. Esse é teu destino.

Gosto de te ouvir passar no silêncio, rasando, beijando as copas frondosas do pinhal.

 

Seilá, 6 de Agosto de 2014

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publicado às 22:03

Feliz Ano Novo

por seila, em 01.01.15

 

E lá vimos partir mais um ano.

Estava velho coitado! Resistiu até ao último segundo, depois, ao bater da meia-noite exalou o último suspiro.

Foi então que, em pleno Inverno, floresceu um novo ano.

Veio cheio de vigor e boas intenções.

Ah, mas oiço alguém por aí dizer – olha que de boas intenções está o inferno (mundo) cheio!

Pois que assim será, talvez uma verdade incontestável, mas ele veio tão lindo, tão brilhante de sol, parece-me tão cheio de promessas…

Não queremos mais promessas, queremos factos, tudo a que temos direito preto no branco.

Então o Novo Ano contou e recitou para todos que desejava ser mais leve, mais justo, mais alegre, mais compreensivo, mais protector, mais positivo, menos conturbado, menos confuso, acima de tudo menos desigual.

É assim que todos os anos nascem, cheios de força e desejo de fazer mais e melhor.

Acho que todos nós temos uma estrelinha que nos guia os passos e nos faz viver, esperando.

           Eu chamo-lhe Esperança.

Trago dela a mala de porão cheia e é com ela que desejo a todos um verdadeiro Feliz Ano Novo.

 

 

Seilá, 1 de Janeiro de 2015

 

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publicado às 17:57

O passeio da tristeza

por seila, em 05.11.14

                                                            (Foto de Bernardo Gomes)

 

Era um dia de Fevereiro, de um Inverno que tendia a ser rigoroso.

Na família já há longo tempo empobrecida, entrava agora gente nova. Passeava junto ao rio que seguia o seu curso parecendo indiferente ao lado da pitoresca vila, Alcochete que graciosamente conservava e conjugava muito do antigo da sua traça e da sua vivência com o avanço dos tempos modernos.

Talvez afinal o rio não se sentisse tão indiferente. Talvez caminhasse mirando e admirando a margem tão povoada de história.

Mas alguém se sentia triste. Ele.

Dei comigo a pensar quantas pessoas no mundo estariam naquele preciso momento com a mesma ansiedade, com a mesma e terrível angústia.

E todos da família, já em algum dia se haviam sentido assim.

Permanecera alheado, ausente, distante dos outros e as poucas palavras que dissera, foram de circunstância, ou contidas com algum vestígio de raiva ou mágoa sincera.

A família caminhava agora no pontão que entrava rio dentro.

Havia silêncios entre cortados por pequenas conversas dispersas.

No meio, ele continuava sozinho tão profundamente acompanhado da sua dor.

O pontão terminara. Havia uns bancos de pedra. Sentou-se sombrio como que cansado, olhando a distância. Os cigarros ardiam-lhe nas mãos magras. Pegou no telemóvel e focou a vida que via. Talvez como quem queira aprisionar na lente a ilusão perdida.

O céu pintara-se de azul com manchas brancas acinzentadas e na sua benevolência deixou que tímidos raios de sol curiosos espreitassem.

A tarde avançava. O ar arrefecia.

Fez-se a família ao regresso do caminho.

Ele seguia inquieto, desajustado.

E eu seguia-o de perto talvez com esperança de saber ajudar e junto do desespero, rezava, pedindo ao pai que lhe arrancasse do peito aquela dor, mas lhe deixasse inteiro o coração.

Não fora para ser infeliz que o fizera. Nem a ele, nem a nenhum outro.

 

 

 

Seilá, 5 de Fevereiro de 2014

 

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publicado às 12:07

Deixa ir

por seila, em 03.11.14

                                                                         (foto minha)

 

Deixa ir… dissolver-se nas tuas lágrimas, arrastar-se no vento, diluir-se na vida que te chama.

Apagar-se? Isso não te sei prometer, mas o sopro da tempestade há-de passar e um dia, verás que as gaivotas levantam voo rumo ao mar.

E uma nova ponte irás construir. Ao princípio será tosca? Não importa, ela crescerá numa obra perfeita.

Porque às vezes, amar não basta.

Não sofras mais por favor. Parte-se-me o coração saber que choras.

Se eu pudesse, tomaria as tuas dores em meu peito e no maior carinho seria todo teu, o meu colo. Secar-te-ia as lágrimas com as pontas dos dedos embalando-te como quando eras menino.

E quando te visse dormir vencido de cansaço eu iria rezar pedindo que tivesses sonhos de anjos.

Se eu pudesse!

 

 

Seilá, 2 de Janeiro de 2014

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publicado às 14:16


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